Como se tornar um fotógrafo profissional

Russo KuikurosUma matéria recentemente publicada no Viaje Aqui da Ed. Abril sobre a National Geographic em muito espelhou o que vivo e enfrento nesta jornada que iniciei há um ano.

Todos que estão no meio corporativo, trabalhando para grandes ou pequenas empresas em algum momento da vida se questionam se não é melhor ter seu negócio próprio, seu próprio resultado e seus próprios méritos. Colhendo os frutos de seu trabalho, e não apenas o salário fixo e mensal. O grande problema e desafio é sair da estabilidade para a instabilidade, de ter o porto seguro para um eterno remar contra ou a favor da maré – desafio este que uma hora ou outro faz a grande maioria desistir.

Algumas vezes há a oportunidade de se fazer em paralelo, seja por disponibilidade de tempo, ou melhor, por conciliação de agendas. Outras no período de mudança de empregos, quando se sai de um enquanto se procura outro a mola que impulsiona é acionada.

Comigo isto ocorreu duas vezes, a primeira a cerca de 2,5 anos me fez começar a batalhar e entender o que é ser um fotógrafo profissional, trabalhar para receber. Antes deste momento eu apenas fotografava para mim, de forma autoral ou não, em festas e eventos para sites de balada por curtição, em projetos coletivos de fotógrafos, nas atividades de fotografia da escolaoufotoclube. Deste momento em diante passei a me ligar a fotógrafos experientes e já com anos de bagagem no mercado, para atuar como segundo fotógrafo, assistente em algumas situações, ou mesmo trocar experiências e pedir lições de aprendizado.

Neste caminho muitos nomes se destacam, mas os principais sãoPepe Melega,Tyto Neves, Tomas Kolisch,Rita Barreto, Roberto Comodo.  Outros momentos estar em contato com grupos de fotógrafos também ajudou, como também fóruns diversos, listas de fotografia e, principalmente estar engajado e atuante no meio como naAssociação de Fotógrafos Fototech.

O caminho é complicado e não existe manual de sucesso ou fracasso, como todo negócio, mas neste específico a marca sou sempre eu mesmo, eu sou o agente de propaganda, de criação, de divulgação e de produção. Depois de anos cuidando de planejamento e orçamento em empresas, passei a por em prática tudo o que aprendi em ações de vendas, marketing, financeiras e operacionais em um produto chamadoAndré Russo.

Esta primeira investida serviu para aprender que não é tão fácil assim… Principalmente ser visto no mercado, depois de acreditarem na tua qualidade e darem oportunidades como freelance. Passado mais um período trabalhando no corporativo, uma mudança de estado a trabalho novamente me vi na fase entre empregos.

Nesta segunda houve outros pontos a acrescentar, mercado diferente, uma vivência diferente, uma maior vontade de fazer dar certo e lutar por isto, empresa aberta para emitir notas fiscais e um foco mais definido.  Buscar atuar com estúdio fotográfico, ensaios com modelos, editorial de moda, still de produtos, gestantes, fotos sensual, bebês, catálogos, e demais linhas de produção em estúdio com luz controlada.

Montei em meu apartamento um estúdio de bom tamanho (dentro das possibilidades de espaço), uma viagem a Sampa e retornei com o carro cheio de luzes, tripés, sombrinhas, rebatedores e demais materiais úteis e necessários. Além de é claro umas compras na BH e em lojas de material fotográfico aqui da cidade.

Até ai surgiu um segundo ponto, a vida toda sempre fotografei em campo e livre, nunca havia feito curso ou sido assistente de fotógrafos em atividades de estúdio. Por outro lado conhecia a dinâmica, entendia como a luz funciona e a vontade de aprender e desenvolver minha carreira escolhida. Faltava ainda assim o principal, prática e muita prática resolvida através de acordos com modelos new face e não modelos que desejavam fazer seu book. Uma troca de experiências e favores, ensaio fotográfico feito elas ganhavam as fotos em mídia para usarem e eu uma autorização para colocar o material no meu portfólio de divulgação. Mesmo assim muitos tropeços ocorreram, quantas vezes não fiquei plantado no estúdio esperando a modelo agendada chegar para o ensaio e nada, nem uma ligação falando que não vinha. Quando muito, depois surgia uma mensagem tímida no celular, msn ou email com uma desculpa eterna de doença própria ou familiar.

Estúdio pronto e aprendizado já mais evoluído vou à luta de clientes, e neste ponto esbarrei em algo local da cidade. Mineiros em geral só fazem negócio com quem conhecem ou quem são indicados a ele por conhecidos, e eu paulista e paulistano, com seis meses de cidade sem conhecer quase ninguém o que faço? Vamos usar ferramentas de propaganda e marketing para superar este desafio.

Toca produzir site bacana, lâmina de divulgação bem elaborada, me cadastrar em sites de busca, referência, páginas amarelas e similares.  Usar ferramentas de internet sociais para buscar clientes e divulgar meu nome. Procurar entrar em contato com meios que possam me ajudar e pedir indicações.

Neste caminho também tive meus tombos, anunciei em jornal e site de classificados de grande circulação que não deu retorno, fechei parceria com site de grande editora para dar um ensaio em troca da divulgação numa grande promoção e nenhum contato posterior.

Visitei inúmeras agências de publicidade e propaganda, mailing para todas as demais, horas de telefones e nada. Aqui sei que é pelo fato de eu ser um completo desconhecido com um portfólio bacana. Quem vai arriscar trocar o fotógrafo conhecido e antigo (mesmo que com alguns problemas) por uma carta fechada? Que cliente não vai pedir o fotógrafo que a amiga/parente indicou ao invés daquele que a agência tem em mãos de novidade?

E é neste ponto que estou hoje, lutando contra este grande obstáculo, trabalhando, propagando e me esforçando para me tornar mais experiente e técnico no meu trabalho, conhecido e aceito pelo mercado, indicado e requisitado pelos clientes.

Mas como já disse o artigo original, é um longo aprendizado e evolução, demandará muito mais tempo, investimento e esforço. Tenho certeza apenas que o objetivo final é compensador e gratificante.

22 Respostas para “Como se tornar um fotógrafo profissional

  1. Olá André, bacana esse post pois retrata bem o que é estar no início de uma carreira super concorrida como a fotografia. Fui lendo e percebi várias semelhanças com a minha trajetória, larguei um emprego de engenheiro para me dedicar integralmente à fotografia. É difícil mesmo, demora, tem muita gente boa tentando e o que posso te dizer é persistir sempre. Não desanimar quando ouvir um não é uma regra básica. Também acredito que todo esse esforço vale a pena! abs
    http://fredchalub.wordpress.com

  2. Oi André, sei exatamente do que está falando…
    Há 2 anos e meio larguei meu último emprego formal para me dedicar somente a fotografia.
    Não é fácil, mas vale muito a pena :o)
    Bjs
    luaith (do twitter)

  3. Bacana o texto, Andre! É sempre bom ver o ponto de vista de pessoas que tão no mesmo caminho que a gente. Coincidentemente, ontem escrevi sobre isso tb, postei hj lá no meu blog.
    Paciência e muita vontade de aprender, esse é o segredo!

  4. Olá André! Muito bacana o relato de suas experiências. Desejo sucesso sempre.
    Sou uma apaixonada por fotografia, porém, não me vejo trabalhando nessa área. Mas busco usar essa paixão para agregar nas minhas construções de pauta. Abração!

  5. Oi, André!
    Gostei da sua descrição, você tem a humildade de se posicionar como um iniciante no mercado – ainda que não na fotografia – e isso faz toda a diferença. Persevere, meu amigo, que a sua hora vai chegar.

    • Obrigado Stefano,
      não adianta falar que sei ou que fiz algo que não é real, que não seja verdade. Ninguém no mercado é igênuo ou bobo em acreditar nisto.
      É mais seguro e real vender uma proposta de parceria e de comprometimento (que falta no mercado) do que o inverso.
      E confiar no que se acredita poder realizar.

  6. Olá andré! cheguei ao seu post através do blog fotocolagem e achei muito bacana vc compartilhar essa sua trajetória. Já lí muitos relatos de como grandes fotógrafos chegaram lá, mas sempre parece ser uma coisa meio romancista ou de muita sorte. Eu também tô na batalha, buscando atingir alguma coisa mas eu confeço que não tá nada fácil. boa sorte pra vc e continue clicando. Abras

  7. Ola Andre,

    Gostei de saber que voce esta buscando e persistindo, pq acredito que aqueles que querem fazer e com vontade e capricho acabam por vencer.
    Eu hj estou chegando no interior do ceara a 3 mil km de casa,para passar algum tempo e para buscar me desenvolver mais em situacoes de luz controlada, e para descobrir mais sobre temas aurorais e sobre uma fotografia que eu faca que seja mais parecida com o que sou.

    um grande abraco

  8. André

    Ouvi uma entrevista e me lembrei de vç.
    Um certo profissional de uma determinada área disse que se nós escolhemos uma profissão, qualquer que seja ela, noós devemos aredentemente nos dedicarmos com todo o fervor. Assim seremos o melhor naquilo que escolhemos ao invés de escolhermos várias profissões.
    Por mais que a vida possa te levar onde vç menos espera, tenha a absoluta certeza que é onde vç deveria estar.

    Abraços
    Alessa Souza

  9. André…

    Muito bacana ler seu desabafo e lição de vida, pois estou iniciando na área da fotografia, eu que era empresária e vivia infelis, hoje estou buscando o meu espaço, que não é fácil…mas não será impossível.

    Sucesso para ti e todos aqueles que comungam com a felicidade de fazer o que se gosta…

  10. Amigo, sou iniciante na profissão.E tenho aprendido sozinha muitas coisas.Percebi que existe um código secreto entre os fotógrafos antigos, que nada contam, nada compartilham e sozinha estou descobrindo esses segredos. Ainda, durante o curso de fotografia afim de conhecer o mercado publiquei assim, como você um anúncio de linha por dois dias no jornal mais caro e popular da cidade, tive a infelicidade de atender a ligação de um homem querendo fazer fotos sensuais, não aceitei, sugeri a ele que procura-se um profissional especialista neste tipo de foto.
    Este homem de forma chata iniciou uma série de envios de sms fiquei tao, desanimada com a situação e fora a questão do não conhecimento do mercado que até mesmo o meu professor fazia questão de não revelar, que pensei em desistir desta carreira.
    O tempo passou, e decidir trabalhar somente com mulheres, restringindo 100% a minha publicidade, postura de trabalho, fiz algumas amizades com pessoas de outros estados e países, troquei o número do meu celular por causa das constantes mensagens e ligações do homem estranho, e leio constantemente posts como estes, procuro ao máximo aprender com as experiência de outros fotógrafos como os depoimentos acima e manter o bom ânimo sempre.

    Obrigada, pelo o seu compartilhamento Russo
    Att,

    Fernanda.

    • Fernanda,
      acredito que em toda profissão seja nossa de autônomos como a de contratados CLT há situações não visíveis ou inesperadas que podem nos surpreender e fazer mal.
      Neste aspecto que você fala já passei pelo similar, não de assédio excessivo (isto acredito que seja mais passível de ocorrer com mulheres) mas ocorreram.
      Já tive pseudo clientes que abriram conversa por MSN ou Skype e no chat logo de cara ou pouco depois abriram a webcam pelados ou mandaram fotos assim. Casais de swing ou GPs que queriam trocar o ensaio por satisfaçnao digamos assim e por aí vai. Por outro lado estes mercados também são interessantes se souber lidar com eles, tratar os clientes e seus desejos/projetos como um job apenas e deixar claro que é isto para eles, conheço fotógrafo que tem grande parte de sua renda com ensaio de travestis para sites e revistas européias por exemplo.
      Minha quiroprata tem de ter jogo de cintura para lidar com isto, hoej ela só atende mulheres, os poucos homens que atende são maridos ou similar de clientes regulares dela que são atendidos na presença da esposa na sala, nunca sozinhos. Mas ela tem seu mercado mesmo assim e esta bem com isto.
      Eu na contra-partida tenho mais problemas com o não quero pagar nada, já vi valores mais baixos no Peixe Urbano, Grupon, etc… ou então tem uma agência que me contatou pelo orkut/facebook que ofereceu um ensaio baratinho com o cadastro neles e chance de trabalhos com os clientes deles. Nestes casos o que mais vejo é um cliente que quer um book/ensaio bacana, ganhando um pseudo ensaio de um pseudo fotógrafo, se desiludindo com tudo, gastanto o que poderia usar para ter um ensaio para a vida com algo que nnao servirá para nada, e se desiludindo com tudo, deixando de ser um possível cliente.
      O importante é achar teu trabalho ótimo, achar sua público ideal dentro do mercado que esta e criar massa neste nicho.. os demais ocorrem mas são complementos.
      Força e sucesso.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s