O que me atormenta

A vida é feita de escolhas, decisões. A cada passo que damos, optamos por não seguir outros 3 ou 4 rumos diferentes. A cada escolha que fazemos renunciamos e abandonamos outras tantas possibilidades.

Vivo há alguns anos uma dualidade que me atormenta em alguns momentos, perturba o sono em outros, e em muitos outros consigo apaziguar e a deixar de lado para o tempo agir. Mesmo assim, a olhos vistos ela afeta não apenas a mim como também a todos que amo e estão a minha volta.

Esta impossibilidade de poder ser quem desejo e mereço por direito, em conflito com o ser obrigado a desprezar a auto-estima e o amor próprio constantemente, provocam intensos momentos de reflexão interna, de dúvidas, de conflitos e com certeza, muito sofrimento.

Muitas opções em nossas vidas não são tomadas por nós efetivamente, mesmo com o advento da maioridade e auto-independência pessoal. Mesmo assim trazem para nosso dia-a-dia a obrigação de redesenhar nosso destino, nosso caminho e nosso projeto baseado nesta nova gama de fatores e situações que nos foram dadas de presente pela vida e pelo destino.

Ainda que não estivéssemos preparados para ela, não conhecêssemos suas implicações, profundidade e abrangência, enfrentamos cada um destes novos desafios firmes, sempre escorados, dirigidos e amparados pelo alicerce que nos norteia, rege e controla e, principalmente, define quem somos e do que somos feitos.

Esta fundação origina-se de nossa formação, de nossa educação e dos valores pessoais e morais que recebemos desde pequenos, no seio de nossa família. Apenas nos momentos críticos e cruciais de nossas vidas percebemos o quanto estes valores de berço estão enraizados e impregnados em nossas ações, palavras e emoções. E este precioso conjunto de paradigmas positivos reflete o que realmente somos e o quanto seremos firmes em cada passo preso aos nossos valores e raízes.

Mas a vida é uma espiral ascendente que só termina no momento crucial e derradeiro, durante toda ela vivemos como as marés indo e vindo conforme sua posição e o vento que nos impulsiona. Neste movimento que nos envolvemos segundo nosso desejo ou somos envolvidos entramos em ciclos ou situações que durante meses ou décadas temos de aprender a entender, conviver e se possível controlar – mesmo que este último muitas vezes seja impossível.

Quando o controle não é possível, temos a premissa de poder colocar na balança de dois pratos tudo de bom e de ruim que a situação nos trás e tomarmos nossa opção de vida em prosseguir com o fardo ou então deixá-lo para trás assumindo assim os ônus e eventuais custos da renúncia ou escolha. Mesmo neste ponto a possibilidade de escolha de caminhos diferentes dos que nosso alicerce nos sustenta e norteia se faz presente, ou no ato em que a intempérie surge ou, em algum momento do caminho, optamos por seguir outro rumo diferente e até oposto ao original. Quando esta escolha é oposta aos nossos valores, a renúncia a eles é muito dolorosa e crítica, inclusive nos fazendo conviver com a dúvida frente a ela por muito tempo, nos levando a querer voltar atrás mesmo sabendo que a escolha anterior foi a correta e acertada. Nestas horas, mesmo nossos valores primordiais se tornam pequenos frente as nossas capacidades psico-sociais e afetivas, para suportar e conter a força das águas que vêm com as emoções.

Temos sempre de ter como a principal pessoa a ter respeitado os limites o EU INDIVIDUAL, pois se ignorarmos sua preservação e manutenção, todo o resto à volta desmorona. E se o convívio com a dualidade em que esta envolvido for difícil, basta se lembrar se não estivermos firmes, ninguém poderá contar conosco e mesmo que nos amparem em alguns momentos, não poderá sempre haver alguém do teu lado segurando a mão.

Uma resposta para “O que me atormenta

  1. Só não concordo com a parte final. Terá sim sempre alguém ao teu lado segurando a tua mão e te apoiando, te amparando. Não duvide disso. Te adoro!

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