Fotografia: Quando o mercado vai perdendo valor…

O prazer de estar em contato com vc mesmo

O prazer de estar em contato com vc mesmo

Esta semana 2 de minhas referências como fotógrafo, fotografia e profissional entraram num tema que cabe a todos no meio.

Abaixo segue comentário que fiz a ambos bem como seus textos originais.

“Realmente o assunto do DVD de imagens rendeu nas listas. Muito foi dito sobre ser certo ou errado, mas sua primeira premissa é soberana.. cada um faz o que desejar com seu trabalho ao preço que lhe convier.
Apesar disto, esta forma de trabalho acaba jogando o valor ainda mais do mercado apra baixo. Como outras ações pontuais, cada vez que num mercado alguém resolve tirar um pouyco mais da gordura (ou da carne) de seus valores, todos vão descendo na ladeira abaixo.
No segmento que atuo profissionalmente, além da fotografia, existe a possibildiade de por várias razões as empresas micarem com equipamentos usados que foram instalados e retirados de clientes ao longo do tempo. Uma vez usados, só podem ser alugados e a demanda para isto não é tão grande.
Numa reunião gerencial discutimos a possibilidade de efetuarmos uma “liquidação” destes equipamentos usados que se acumulavam. A princípio a idíea pareceu muito boa pois envolvia uma camapnha massissa, a oportunidade de colocar mais clientes de uma faixa mais baixa na base, etc..
No meio do caminho um dos sócios levantou um ponto que pôs todos os outros por água a baixo. Se iniciássemos esta camanha vendendo usados a 60%do valor por exemplo, depois de 1-2 meses de campanha o mercado teria se acostumado com este valor, os concorrentes teriam baixado seus preços, haveriam proposta nossas circulando sem haver mais a campanha. Mas a soma destes fatores iria provocar a perda praticamente irreverssível do valore de mercado dos equipamentos (isto para algo que tem um preço de custo conhecido, fabricante, etc).
Extrapolando isto para a fotografia, acredito que cada vez mais estas ações estão provocando este processo, derrubando o valor unitário de mercado de cada imagem produzida. Sim é natural que ocorra em virtude da exponenciabilidade que HDs maiores e mais baratos, foto digital e internet rápida provocam.
Mas da forma que se encontra, hoje quem quer entrar no mecado autoral esta sendo barrado pela venda dos portfolios antigos de fotógrafos conhecidos (como este DVD), quem quer partir para estúdio começa a esbarrar nos microstocks e similares (e poucos tem capital para montar mega estúdios para produzir milhares de fotos mensais), sobra eventos onde hoje se concentram os antigos e new faces da fotografia (e mesmo neste mercado os valores estão caindo).
Fica a pergunta, no rítmo que anda esta evolução, daqui a 5 anos, 2 anos ou talvez 6 meses como um novo apaixonado pela fotografia que desejar viver dela vai começar a ganhar seu pão?
Abraços
Russo”

– – – – –

Clício Barroso

por clicio em 31 de janeiro, 2010

A Fotografia de cauda longa

©2010 Clicio Barroso

Esta semana as listas de discussão de fotografia, mais especificamente a Profoto e a Fototech, manifestaram perplexidade coletiva através de seus integrantes; o motivo das discussões foi o lançamento de um DVD de Microstock, aparentemente o primeiro de uma série, recheado de fotos de baixo custo, alta qualidade, e assinadas por um fotógrafo de renome.
Antes de tomar alguma posição, duas premissas básicas terão que nortear essa nossa reflexão;

1-) Fotógrafos tem livre arbítrio e amparo legal para dispor de suas fotografias como bem lhes aprouver.
Se o fotógrafo decide vender caro, não vender, emprestar, ceder temporariamente, ceder por 99 anos, doar, destruir, ou vender bem baratinho a sua produção, é problema exclusivamente dele, e quanto a isso não se pode julgar, criticar ou tomar posição definitiva, pois cada um sabe onde o sapato lhe aperta o calo.

2-) O mercado de fotografia, assim como o mercado de música, o de textos, o de jogos para celulares, o de programas de computador e muitos, muitos outros, vem passando por uma revolução na distribuição, preço, custo, acessibilidade e disponibilidade de seus produtos; a oferta passou a ser infinitamente maior, os preços consideravelmente menores, e a facilidade de se encontrar o que se busca está ao alcance de um clique: deus Google tudo encontra.

O processo que vem ocorrendo há anos amadureceu com ferramentas de busca mais sofisticadas; quem melhor descreve as potencialidades até então ocultas dos produtos de nicho é o editor da Wired, Chris Anderson, em seu best-seller “A cauda longa“; segundo Anderson, tudo pode ser vendido, e há compradores para qualquer produto, ao preço que for; o importante é que o produto esteja disponível, e possa ser achado.
No caso da fotografia, primeiro surgiram os bancos de imagens, que facilitaram a distribuição das imagens e a negociação entre fotógrafo-vendedor e cliente-comprador; o fotógrafo decidia o valor e preço de sua imagem, caso a caso, e de acordo com tempo de uso e veiculação desta, podendo inclusive dar exclusividade de uso pelo tempo determinado a apenas um cliente. Este modelo de negócio evoluiu para os CDs royalty-free, onde o preço do pacote de imagens é fixo, a quantidade de imagens também é limitada, mas o uso é livre; a pegadinha é que a imagem pode ser veiculada simultaneamente por clientes concorrentes, não há controle nem limite. O próximo passo foi o Microstock: uma quantidade absurdamente grande de imagens, disponíveis online, a um preço fixo por imagem, sendo que tal preço é extremamente baixo, por vezes centavos de dólar. Quem disponibiliza as imagens (produtor) ganha no volume de vendas, quem as produz (fotógrafo) ganha no volume de vendas.
Este modelo de cauda longa (abundância de oferta em oposição à escassez, busca sofisticada e preços decrescentes), porém, pressupõe infinita oferta, sempre crescente, com custo baixissimo de estocagem, de transporte, e sem data de vencimento; mas isso só é possível quando se movimentam bits, e não quando se movimentam átomos. Para que o modelo funcione, os produtos (fotos digitais, músicas) não podem existir fisicamente (a não ser ocupando espaço baratíssimo nos HDs dos servidores), e tem que ser entregues sem custo aparente (apenas a banda larga necessária para seu download).
A iTunes Store e a App Store funcionam assim, e são um grande sucesso; os e-books para o Kindle e para o iPad funcionarão assim, e serão um grande sucesso; Microstock funciona assim com imagens, e é muito conveniente para o comprador de fotografia.

Mas uma pulga começou a se movimentar atrás de minha orelha, e pulou magnificamente para a longa cauda, muito mais apetitosa; será este o único modo de se vender imagens daqui para diante, ou é possível concorrer com a infinita abundância?
E a pulga me responde:
– O nosso exemplo de DVD esbarra em duas limitações:
1-) É físico, de átomos.
Precisa ser produzido (custo), prensado (custo), embalado (custo), estocado (custo), divulgado (custo), transportado (custo). A soma destes custos faz com que o modelo de negócio seja semelhante ao dos CD Royalty free, um modelo antigo, caro, ultrapassado e arriscado; é preciso que se vendam milhares de unidades para que se tenha lucro.
Se o fotógrafo vende por um preço fixo o pacote de imagens que vai rechear aquele disco, o risco é do produtor ou editor; se o fotógrafo assina um contrato de percentagem sobre as vendas, o risco é compartilhado. De qualquer forma o fotógrafo abre mão de seus direitos de comercialização daquelas imagens.
2-) Não tem uma quantidade ilimitada de fotos, não tem um mecanismo de busca eficiente (e nem precisa, dada a sua limitação física de espaço), e consequentemente pode não ter todas as imagens das quais o cliente precisa; nesse caso, o comprador acaba sendo refém daquele modelo de negócio, tendo que comprar periodicamente novos DVDs da série para formar a sua biblioteca de fotos, que vai ser igual à biblioteca de seus concorrentes, a um custo considerável.
A conclusão é que este lançamento não é um Microstock de fato, e sim um produto híbrido, mais próximo do Royalty-free, e consequentemente esbarra naquelas mesmas limitações que inviabilizaram este antigo modelo: tem que custar caro (em relação ao custo unitário de uma imagem de Microstock) e tem que vender muito (para cobrir os custos e dar lucro aos envolvidos).
Aos fotógrafos, resta a decisão de um posicionamento.
Produzir independentemente e comercializar suas próprias imagens, produzir para bancos de imagens e negociar suas próprias imagens, vender os direitos de uso de suas imagens para que outros as comercializem, utilizar uma forma menos rígida de licenciamento como o Creative Commons, ou produzir literalmente milhares de imagens por mês para Microstock (é um monstro insaciável!) para que possa sobreviver.
O difícil é concorrer com esta oferta ilimitada proporcionada pela Internet, com filtros de busca cada vez mais precisos e rápidos, com distribuição global, a custo unitário de centavos por imagem.
O que fazer para sobreviver na selva das imagens digitais? Aqui a sua opinião é importante!

Update 01: Acabo de ler que a Apple vendeu dois BILHÕES de applications na AppStore, ao ticket médio de U$ 1.00. Conta fácil: 2 bilhões de dólares.
Pergunta; alguém conhece algum fotógrafo (não empresa de microstock, fotógrafo) que tenha vendido ao menos um milhão de imagens por U$ 1.00 ?

– – – – –

Pepe Melega

Opções do Improvável

Pensando no movimento (Foto: Pepe Mélega)

Semana que passou li textos sobre erros que levam a fotografias de arte, vi fotógrafos de arte pasteurizarem seus trabalhos comercializando-os em DVDs com conteúdo livre para qualquer aplicação sem limitação de tempo. Será que estou com o pensamento ultrapassado? Pois para mim a busca por registrar a ideia fotograficamente sempre foi obrigação de quem se diz fotógrafo e receber (remuneração adequada) pelo que faz comercialmente sempre foi uma obrigação justa! Óbvio que todos tem a liberdade de cobrar o que desejam ou o que acham justo, mas nesse caso sou a favor de que se é para cobrar, cobre bem. Aliás ideia compartilhada com outros amigos que dividem o oficio de fotografar como profissão – vide o texto de Clicio Barroso em seu Blog.

O ponto fundamental é que um erro não pode se tornar arte, um erro pode levar a uma ideia, a um conceito, mas não arte. A arte pode surgir a partir do momento que se transforma o erro em técnica consistente, onde o domínio de quem a aplica (o artista) é evidente demonstrando que sabe o que se está executando com o equipamento.

Atravessando na faixa – efeito com lente Tilt and Shift (foto: Pepe Mélega)

Esse é o ponto, criar desfoques consistente (vide Claudio Edinger), criar foco seletivo, borrar pontos através do movimento, tremer (shake photo), etc com o uso de técnicas que devem ser dominadas para criar a imagem a seu favor e não por acaso ou por que errou-se. Não sou contra e nem defendo a foto certinha na regra dos terços com tudo exatamente no foco, cores balanceadas, etc. Sou contra o erro do fotógrafo ser levado ao patamar de arte pelo acaso de ter-se errado. Sou a favor de distorções e aberrações cromáticas causadas pelas LOMO e ou HOLGAs, sou a favor da lente invertida, da LensBaby, da Tilt e Shift, Fish Eye (olho de peixe) e das câmeras técnicas que basculam a procura de um único ponto com foco dentro de uma imagem cercada de distorções. Tudo isso é para mim o uso da criatividade de aprender com o erros e transforma-los em ferramentas a favor da imaginação fotográfica que cada autor tem dentro de si. Mas admitir que um erro numa única foto, fruto do acaso, seja transformada em arte é uma falta de respeito a quem se dedica ao ato de fotografar.

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